Vitória da democracia brasileira: leia o artigo do Secretário Geral da CUT-SC
No artigo, o secretário-geral da CUT-SC analisa o significado do resultado eleitoral, os projetos de sociedade que estiveram em disputa e a importância de manter a participação popular para além das urnas
Publicado: 27 Outubro, 2026 - 11h13 | Última modificação: 27 Outubro, 2026 - 11h19
Escrito por: CUT-SC
A vitória da democracia nas eleições de 2026 representa uma conquista importante para o povo brasileiro, mas também abre um novo período de desafios e disputas políticas. Com a extrema direita fortalecida no Congresso Nacional, a organização e a mobilização popular serão fundamentais para defender os direitos da classe trabalhadora e impedir retrocessos.
No artigo “Vitória da democracia brasileira!”, o secretário-geral da CUT-SC, Rogério Manoel Corrêa, analisa o significado do resultado eleitoral, os projetos de sociedade que estiveram em disputa e a importância de manter a participação popular para além das urnas. Para ele, a vitória precisa se transformar em força política permanente na defesa da democracia, da justiça social e dos direitos conquistados.
Leia o artigo abaixo:
O dia 25 de outubro de 2026 já entrou para a história do Brasil e da geopolítica mundial. Nesta data, o povo brasileiro foi às urnas para definir o futuro do país e, em certa medida, os rumos do continente sul-americano, pelo menos nos próximos quatro anos.
Em mais uma disputa eleitoral acirrada, estiveram frente a frente dois projetos políticos profundamente distintos. De um lado, a continuidade de um projeto comprometido com a defesa da democracia, a inclusão social, os investimentos em educação, o desenvolvimento industrial e ambiental, o fortalecimento das relações internacionais e a construção de um futuro mais próspero e justo para a população.
Do outro, um projeto de elitização da sociedade, precarização das condições de vida e de trabalho, desrespeito às minorias, especialmente às mulheres, à população pobre, aos povos indígenas e à população negra. Um projeto que alimenta o preconceito, estimula a intolerância e incentiva a violência física e moral entre as pessoas.
Depois de um primeiro turno igualmente acirrado, as urnas revelaram o fortalecimento da extrema direita no Congresso Nacional e uma vitória parcial do projeto negacionista, autoritário e de retirada de direitos. Porém, neste dia histórico, a maioria do povo brasileiro decidiu pela continuidade de um projeto de fortalecimento da democracia e da inclusão social.
Essa vitória também demonstra que é possível enfrentar e derrotar, nas urnas, o ódio de classe, o desprezo às minorias, a concentração de renda, a exploração da classe trabalhadora e tantas outras formas de injustiça e violência que ainda marcam a sociedade brasileira.
Que esse exemplo possa inspirar os povos dos demais países da América do Sul e que o mundo aprenda a respeitar a história de luta, a soberania e a democracia brasileira. Uma luta democrática, sem armas, sem violência e sem intimidações, demonstrando que o debate político, sustentado em propostas e compromissos verdadeiros com a população, pode transformar a sociedade e abrir caminhos para um mundo mais justo.
A partir de janeiro de 2027, o Brasil entrará em um novo ciclo histórico, marcado por muitas batalhas políticas, especialmente no Congresso Nacional. E o mesmo povo que foi às ruas e às urnas precisará permanecer firme, organizado e mobilizado para defender as conquistas e enfrentar os desafios que virão.
Essa luta deverá continuar nas ruas, nas câmaras municipais, nas assembleias legislativas estaduais, nas organizações sociais, nos movimentos populares, nas entidades sindicais classistas e em todos os espaços de discussão e decisão política. Será fundamental acompanhar de perto a atuação da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, onde estarão em disputa projetos que podem representar avanços ou retrocessos para a sociedade brasileira.
Só com organização, participação popular e mobilização permanente será possível garantir a democracia e defender os direitos constitucionais, trabalhistas, previdenciários e sociais assegurados pela Constituição Federal.
Não podemos desperdiçar a demonstração de força social construída ao longo do processo eleitoral deste ano. Não basta eleger o presidente da República com tanta convicção e mobilização popular para depois deixá-lo sozinho nas disputas políticas que virão.
O projeto derrotado nas urnas não desaparecerá com o resultado da eleição. As forças da extrema direita continuarão atuando para recuperar o poder e poderão recorrer, mais uma vez, a tentativas de desacreditar o processo eleitoral e colocar em dúvida a legitimidade das urnas, mesmo sabendo que seus próprios representantes foram eleitos pelo mesmo sistema eleitoral que atacam.
Também tentarão utilizar a força conquistada no Congresso Nacional para impedir ou inviabilizar avanços sociais, econômicos, trabalhistas e ambientais. A defesa dos interesses das elites econômicas, a concentração de renda, a precarização do trabalho e o enfraquecimento das políticas públicas continuarão no centro dessa disputa entre projetos de sociedade.
Por isso, a vitória eleitoral precisa se transformar em força política e social permanente. A mobilização nas ruas, a organização da classe trabalhadora e a vigilância constante contra ameaças golpistas serão fundamentais para impedir retrocessos e assegurar o respeito à Constituição e às instituições democráticas.
É necessário garantir que os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário exerçam suas atribuições constitucionais, com independência, responsabilidade e respeito à soberania popular. Nenhum interesse político ou econômico pode estar acima da vontade democrática do povo brasileiro e dos direitos assegurados pela Constituição.
A eleição de 2026 deixou uma demonstração da força da participação popular, mas também evidenciou que a disputa entre democracia e autoritarismo, entre inclusão social e concentração de riquezas, entre valorização do trabalho e retirada de direitos continuará presente na vida política do país.
Quem saiu vencedor desse processo foi o povo brasileiro, a sociedade, a democracia, o bom senso, o respeito, a justiça social e a classe trabalhadora.
Que essa vitória não represente apenas o encerramento de uma eleição, mas o fortalecimento de uma luta permanente por um Brasil mais democrático, justo, soberano e comprometido com os direitos de seu povo.