Trabalhadores da Metalúrgica Duque estão sem receber os seus salários
Os cerca de 900 trabalhadores da Metalúrgica Duque, em Joinville, começaram o ano de 2014 da mesma forma que terminaram 2013: sem salários e sem saber como será o futuro
Publicado: 08 Janeiro, 2014 - 11h43
Escrito por: Luiz Carvalho
Trabalhadores rejeitaram proposta do patronal que sugeriu que eles retornassem ao trabalho sem o pagamento dos atrasados
Sem salários desde novembro e sem perspectiva os trabalhadores da Metalúrgica Duque cobram intervenção do Ministério Público do Trabalho, após proposta patronal de retorno ao trabalho sem pagamento dos salários atrasados
Com as atividades paralisadas desde dezembro, a empresa coleciona pendências perante os trabalhadores há mais de três anos, com o atraso no depósito do fundo de garantia e o corte em vários benefícios sociais.
A situação, porém, piorou em 2013, quando os salários de agosto, setembro e outubro foram pagos somente quando a categoria cruzava os braços. A partir de novembro, os vencimentos deixaram de ser pagos e no início de dezembro a empresa interrompeu a produção e noticiou que os trabalhadores permaneceriam de licença remunerada até a retomada das atividades em janeiro.
No dia 06 de janeiro quando os trabalhadores começaram a chegar para trabalhar no turno das 4:00 horas, com a esperança de que tudo estivesse resolvido, encontraram o portão lacrado e protegido por seguranças, sendo informados que ninguém poderia entrar na fábrica.
Diante da situação e após as frustradas tentativas do Sindicato dos Trabalhadores de negociar com a empresa desde o final de 2013, apenas na tarde do dia 07 os mesmos foram recebidos pelo proprietário da empresa, Mário Hagemann, após atuação do Ministério Público do Trabalho que possibilitou a realização da reunião entre uma comissão dos trabalhadores, sindicato e a empresa.
Na reunião, o proprietário da Metalúrgica Duque, propôs o retorno as atividades ao longo dessa semana, sem o pagamento sequer do salário de novembro, o qual seria pago apenas em 30 de janeiro.
A proposta, beirou o desrespeito: além do pagamento de novembro ser realizado em 30 de janeiro, o de dezembro seria efetuado em 28 de fevereiro, junto com 25% do 13º salário, o qual foi pago pela metade. Os demais 25% seriam pagos apenas em 30 de março. Todavia, para tanto, o patrão alegou que precisaria do retorno dos funcionários ao trabalho ao longo do mês de janeiro.
“Os trabalhadores não aceitarão voltar a produzir sem receber seus salários. Isso é inviável”, disse a diretora do Sindicato dos Mecânicos de Joinville, Liliana Piscki Maes.
Também dirigente da CUT-SC e funcionária da Metalúrgica, ela destacou que Hagemann apontou para a demissão de trabalhadores e ofereceu implementar um plano de demissão voluntária (PDV), caso não houvesse recuperação total da produção.
Em assembleia na tarde desta quarta, os trabalhadores rejeitaram a proposta patronal e decidiram solicitar a intervenção do Ministério Público do Trabalho e cobrar da Metalúrgica Duque o pagamento dos salários para a retomada das atividades, para tanto o Sindicato convocou nova assembleia para sexta-feira (10) às 14 horas em frente ao portão da empresa.