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O racismo também está nas palavras!

Episódio reforça a necessidade do letramento racial para combater preconceitos reproduzidos na linguagem e nas relações cotidianas

Publicado: 30 Outubro, 2026 - 10h47 | Última modificação: 30 Outubro, 2026 - 10h52

Escrito por: CUT-SC

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O Coletivo de Combate ao Racismo da CUT-SC manifesta seu repúdio à expressão “serviço de branco”, utilizada pela vereadora Mércia Maria Pianezzer Ferrari (PT), durante sessão da Câmara Municipal de Rodeio, no Vale do Itajaí, na última segunda-feira (26).

A expressão, utilizada ao se referir à prestação de serviços públicos, reproduz uma associação racista entre a cor da pele e a qualidade do trabalho realizado. Ao atribuir ao branco a ideia de competência, eficiência ou superioridade, reforça, ainda que de forma não intencional, a desvalorização histórica da população negra.

Reconhecemos a importância do pedido público de desculpas feito pela vereadora. No entanto, entendemos que episódios como esse precisam ir além da retratação individual e servir de oportunidade para uma reflexão coletiva sobre o racismo presente em nossa sociedade.

O racismo nem sempre aparece de forma explícita. Muitas vezes, está presente em palavras, expressões, comportamentos e práticas que foram naturalizados ao longo de gerações. Expressões como “serviço de branco”, “cabelo ruim” e “a coisa tá preta” demonstram como a linguagem pode reproduzir estereótipos e hierarquias raciais, mesmo quando quem as utiliza não tem a intenção consciente de discriminar.

É justamente por isso que defendemos a importância do letramento racial, um processo contínuo de aprendizado, reflexão e reconhecimento das desigualdades raciais que estruturam a sociedade brasileira. Ter letramento racial significa compreender como o racismo se manifesta, identificar preconceitos que muitas vezes passam despercebidos e assumir a responsabilidade de transformar atitudes, práticas e formas de expressão.

Esse compromisso é ainda mais importante para quem ocupa espaços de representação política e exerce funções públicas. O combate ao racismo exige responsabilidade, formação e disposição para rever comportamentos, inclusive dentro das instituições democráticas.

Para o movimento sindical, essa também é uma tarefa permanente. Não há luta por igualdade, justiça social e direitos da classe trabalhadora sem o enfrentamento ao racismo. A população negra segue convivendo com desigualdades no acesso ao trabalho, à renda, às oportunidades e aos espaços de poder.

O Coletivo de Combate ao Racismo da CUT-SC reafirma que combater o racismo também é estar disposto a aprender, reconhecer erros e mudar práticas. Mais do que condenar uma expressão, precisamos enfrentar as estruturas e os preconceitos que permitem que ela continue sendo reproduzida.

O racismo também está nas palavras e o combate ao racismo começa quando deixamos de naturalizá-las!

Coletivo de Combate ao Racismo da CUT-SC