Encontro Sul, organizado pela Fetraf-Sul/CUT discutem regulamentação do setor par ao s integrados, que são os produtores diretos
Segundo pesquisa da Embrapa, quem garante a balança comercial brasileira é a agricultura e o setor de carnes é o segundo maior produtor e exportador do país (exportação de frango para 145 países e exportação de carne suína para mais de 70 países). Apesar disso, o valor que os agricultores integrados recebem pelos animais é baixo e muitas vezes não cobre as despesas. As despesas com mão de obra, energia elétrica, manutenção, seguro, carregamento de animais e funrural geralmente são de responsabilidade do integrado. “A maioria dos integrados trabalha pelo custo de produção e outros recebem menos que isso. Por esta razão é necessário discutirmos uma lei que regulamente o sistema de integração no Brasil”, salientou o coordenador da FETRAF-SUL/CUT em Santa Catarina, Alexandre Bergamin.
O representante da Embrapa, Jonas Irineu dos Santos Filho, apresentou a pesquisa dos custos de produção de aves e suínos. Atualmente o produtor de aves recebe em média R$ 0,50 por frango e para produzir cada animal ele gasta em média R$ 0,55. Com os produtores de suíno a situação é a mesma: para produzir cada suíno os gastos chegam a R$ 22,80 e o valor que recebem das empresas pelo animal de 120 quilos é de aproximadamente R$ 22,00.
Pedro Vaz, integrado do município de Herval Grande – RS possui 650 suínos e não se conforma com o preço recebido por animal. “Estamos aqui lutando para melhorar os preços e custos de produção, mas as empresas dificultam tudo”, disse. Vaz também não vê futuro na área para os dois filhos. “Os meus dois filhos estão na faculdade e quando o estudo dos dois terminar eu não vou mais trabalhar neste ramo. Eles também não veem incentivos na produção de suínos, pois, todos os anos é necessário investir para se adequar às normas da empresa”, relatou Vaz.
A regulamentação do sistema de produção também foi discutida entre os participantes que concordaram com os principais pontos de pauta elencados pela FETRAF-SUL/CUT:
1. Que as empresas integradoras compartilhem a responsabilidade ambiental, pois, atualmente o investimento e responsabilidade são somente do integrado;
2. Garantia de preço justo, não menor que o custo de produção, e que garanta a remuneração do trabalho;
3. Estabelecer processos de negociação dos contratos entre integrados e integradoras com participação das entidades de trabalhadores integrados;
4. Definir data-base anual para negociação entre integrador e integrados. Todas as categorias de trabalhadores urbanos possuem uma database/dissídio coletivo para discutir as relações de trabalho/contrato.
Os deputados Estaduais Luciane Carminatti, Dirceu Dresch e representante do deputado Altemir Tortelli, Alcemir Bagnara, e o deputado Pedro Uczai Também participaram do evento e se comprometeram em auxiliar na alteração da lei em tramitação e com os diálogos com o governo Federal.