Escrito por: Aline Eberhard - Assessora de Comunicação da FETRAF-SUL/CUT

Grandes empresas frigoríficas pagam aos produtores de frango apenas 50 centavos por ave

Encontro Sul, organizado pela Fetraf-Sul/CUT discutem regulamentação do setor par ao s integrados, que são os produtores diretos

Integrados de suínos, aves, leite e fumo participaram nesta segunda-feira, 05 de maio, do 2º Encontro Sul de Integrados no município de Chapecó – SC, organizado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (FETRAF-SUL/CUT). Os agricultores de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul discutiram, juntamente com as autoridades presentes, os desafios e perspectivas do sistema de integração brasileiro.

Segundo pesquisa da Embrapa, quem garante a balança comercial brasileira é a agricultura e o setor de carnes é o segundo maior produtor e exportador do país (exportação de frango para 145 países e exportação de carne suína para mais de 70 países). Apesar disso, o valor que os agricultores integrados recebem pelos animais é baixo e muitas vezes não cobre as despesas. As despesas com mão de obra, energia elétrica, manutenção, seguro, carregamento de animais e funrural geralmente são de responsabilidade do integrado. “A maioria dos integrados trabalha pelo custo de produção e outros recebem menos que isso. Por esta razão é necessário discutirmos uma lei que regulamente o sistema de integração no Brasil”, salientou o coordenador da FETRAF-SUL/CUT em Santa Catarina, Alexandre Bergamin.

O representante da Embrapa, Jonas Irineu dos Santos Filho, apresentou a pesquisa dos custos de produção de aves e suínos. Atualmente o produtor de aves recebe em média R$ 0,50 por frango e para produzir cada animal ele gasta em média R$ 0,55. Com os produtores de suíno a situação é a mesma: para produzir cada suíno os gastos chegam a R$ 22,80 e o valor que recebem das empresas pelo animal de 120 quilos é de aproximadamente R$ 22,00.

Pedro Vaz, integrado do município de Herval Grande – RS possui 650 suínos e não se conforma com o preço recebido por animal. “Estamos aqui lutando para melhorar os preços e custos de produção, mas as empresas dificultam tudo”, disse. Vaz também não vê futuro na área para os dois filhos. “Os meus dois filhos estão na faculdade e quando o estudo dos dois terminar eu não vou mais trabalhar neste ramo. Eles também não veem incentivos na produção de suínos, pois, todos os anos é necessário investir para se adequar às normas da empresa”, relatou Vaz.

A regulamentação do sistema de produção também foi discutida entre os participantes que concordaram com os principais pontos de pauta elencados pela FETRAF-SUL/CUT:

1. Que as empresas integradoras compartilhem a responsabilidade ambiental, pois, atualmente o investimento e responsabilidade são somente do integrado;

2. Garantia de preço justo, não menor que o custo de produção, e que garanta a remuneração do trabalho;

3. Estabelecer processos de negociação dos contratos entre integrados e integradoras com participação das entidades de trabalhadores integrados;

4. Definir data-base anual para negociação entre integrador e integrados. Todas as categorias de trabalhadores urbanos possuem uma database/dissídio coletivo para discutir as relações de trabalho/contrato.

Uma carta relatando as necessidades e reivindicações dos agricultores em relação ao sistema de integração será encaminhada para Ministério da Agricultura, Ministério do Desenvolvimento Agrário e parlamentares solicitando modificações na lei de regulamentação do sistema de integração que está tramitando no Congresso Federal.

Os deputados Estaduais Luciane Carminatti, Dirceu Dresch e representante do deputado Altemir Tortelli, Alcemir Bagnara, e o deputado Pedro Uczai Também participaram do evento e se comprometeram em auxiliar na alteração da lei em tramitação e com os diálogos com o governo Federal.