Escrito por: CUT-SC

Formação de Dirigentes da Região Sul encerra com compromissos coletivos para a luta

Encontro reuniu dirigentes de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul e definiu encaminhamentos para fortalecer a formação, a comunicação, o trabalho de base e o enfrentamento à extrema direita na região Sul

Entre os dias 19 e 22 de maio, dirigentes sindicais da CUT de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul participaram, em Florianópolis, do quarto e último módulo da Formação de Dirigentes da Região Sul, coordenada pela Escola Sindical Sul da CUT. O processo formativo reuniu dirigentes dos três estados ao longo de mais de 100 horas de estudos, leituras, debates e reflexões sobre estratégia política, organização sindical e os desafios enfrentados pela classe trabalhadora na atualidade.

A formação foi construída como um espaço de elaboração coletiva para pensar os impactos das transformações no mundo do trabalho, o avanço da extrema direita na região Sul e os desafios de fortalecer a organização, a consciência e a luta da classe trabalhadora diante do atual cenário político e social.

No primeiro dia do encontro, os participantes realizaram um resgate dos principais debates, reflexões e propostas construídas nos módulos anteriores realizados em cada estado. A atividade também apresentou os principais desafios regionais e abriu espaço para socialização das experiências acumuladas pelas direções CUTistas.

Na parte da tarde, o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Erick Felinto, conduziu uma mesa sobre a ascensão da extrema direita e o chamado “pós-fascismo”, debatendo as diferentes formas de atuação dos movimentos de extrema direita e os impactos desse fenômeno sobre a democracia, a comunicação e a organização popular.

Ainda no primeiro dia, os dirigentes se dividiram em grupos de trabalho para construir propostas concretas de articulação entre os três estados, pensando ações coletivas para enfrentar a extrema direita na região Sul e fortalecer o futuro da organização do movimento sindical CUTista.

O segundo dia da formação foi dedicado ao debate sobre o “novo sujeito coletivo”, a partir das reflexões do economista Marcio Pochmann sobre as mudanças nas formas de trabalho, a precarização, a fragmentação da classe trabalhadora e os desafios de organização diante das novas configurações do capitalismo contemporâneo. As discussões aprofundaram a necessidade de reconstruir formas de diálogo e organização capazes de alcançar trabalhadores cada vez mais precarizados, fragmentados e submetidos às novas formas de controle digital e exploração do trabalho.

Na noite de quarta-feira (20), os participantes receberam os certificados de conclusão da formação em um momento marcado pela confraternização e pela reafirmação do compromisso coletivo com a continuidade da luta e da construção de saídas para avançar na organização da classe trabalhadora.

Já o último dia contou com uma mesa sobre conjuntura política e os desafios do próximo período. A vice-presidenta da CUT Nacional, Juvandia Moreira, realizou uma análise da conjuntura nacional, destacando os desafios das eleições de 2026, a necessidade de fortalecer a organização popular e a luta pela aprovação de pautas importantes para a classe trabalhadora, como o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho.

Na sequência, a secretária nacional de Formação do PT, Tássia Rabelo, debateu os recentes ataques à democracia brasileira, os desafios colocados para o próximo período eleitoral e a importância de eleger parlamentares e um projeto de país comprometido com os interesses do povo trabalhador. Tássia também ressaltou que os desafios da organização popular e da disputa política não se encerram nas eleições, exigindo trabalho permanente de formação, base e mobilização.

O encerramento da mesa contou ainda com falas dos presidentes das CUTs dos três estados da região Sul. O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, apresentou a experiência do projeto CUT com a Comunidade, iniciativa que articula ações de solidariedade, organização popular e cidadania em diversos territórios da periferia de Porto Alegre.

Já o presidente da CUT Paraná, Márcio Kieller, falou sobre os desafios do movimento sindical em dialogar com os trabalhadores diante das mudanças nas formas de comunicação e apresentou experiências desenvolvidas no estado, como o programa semanal “Quarta Sindical”, criado para fortalecer o diálogo com a classe trabalhadora pelas redes sociais.

A presidenta da CUT-SC, Anna Julia Rodrigues, destacou que a realização da Formação de Dirigentes foi uma deliberação do planejamento da direção estadual da CUT Santa Catarina diante da urgência de reunir dirigentes para estudar, refletir e pensar estratégias frente às mudanças no mundo do trabalho e ao avanço da extrema direita “Essa formação nasce da compreensão de que precisamos investir na formaçãodos nossos dirigentes para enfrentar os desafios do nosso tempo. Mais do que encerrar um curso, este momento reafirma a responsabilidade de cada participante com os encaminhamentos e tarefas construídos coletivamente aqui”, afirmou.

O encontro foi encerrado com a leitura, aprovação e assinatura da Carta Compromisso construída coletivamente pelos participantes da formação. O documento reafirma a necessidade de fortalecer a formação sindical como política permanente, ampliar o trabalho de base, criar uma estratégia regional de comunicação entre os três estados e fortalecer a articulação entre sindicatos, movimentos sociais e comunidades.

A carta também aponta a criação do Fórum Sul como espaço permanente de articulação política da CUT na região, além de construir uma estratégia regional de comunicação, tendo a Escola Sul como referência político-pedagógica e organizativa desse processo.

No documento, os dirigentes reafirmam que os desafios colocados para a classe trabalhadora exigem organização coletiva, formação permanente e unidade para enfrentar a precarização do trabalho, os ataques à democracia e as desigualdades sociais.