Plenária contou com a participação do senador Paulo Paim. Ausência de Esperidião Amin foi criticada por dirigentes sindicais
Cerca de 150 dirigentes sindicais de diversas categorias e regiões de Santa Catarina participaram, na manhã desta terça-feira (23), da Plenária da CUT-SC em defesa do fim da escala 6x1 e da redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial. A atividade reuniu representantes de diversos ramos da CUT, dirigentes da CUT Nacional e de outras centrais sindicais, além da participação do senador Paulo Paim (PT-RS).
Apesar de ter confirmado presença, o senador Esperidião Amin (PP-SC) não participou da atividade, fato que foi criticado por dirigentes sindicais e interpretado como uma demonstração de falta de disposição para dialogar com os trabalhadores e trabalhadoras catarinenses sobre uma pauta que impacta diretamente mais de um milhão de pessoas no estado.
Na abertura da plenária, o secretário-geral da CUT-SC, Rogério Manoel Corrêa, destacou que a luta pelo fim da escala 6x1 é uma reivindicação histórica do movimento sindical e vive um momento decisivo após a aprovação da proposta na Câmara dos Deputados “Estamos diante de uma oportunidade histórica de concretizar uma luta de décadas. Assim como fizemos com os deputados, precisamos dialogar e pressionar os senadores para trazer essa vitória para a classe trabalhadora”, afirmou.
Rogerinho lembrou ainda que mais de um milhão de trabalhadores e trabalhadoras catarinenses serão beneficiados diretamente pela mudança e que mais de 35 mil pessoas estão afastadas do trabalho em razão da fadiga e de problemas relacionados à saúde mental decorrentes das jornadas exaustivas.
A presidenta da CUT-SC, Anna Julia Rodrigues, que coordenou a atividade, ressaltou que a luta pelo fim da escala 6x1 ultrapassa as centrais sindicais e ganhou apoio da sociedade “Queremos conquistar no Senado a vitória completa. Essa é uma luta da classe trabalhadora e de toda a sociedade. Precisamos ampliar a pressão para que a proposta seja aprovada antes do recesso parlamentar”, destacou.
Paulo Paim: “Eu saio do Congresso, mas não sairei das lutas”
Recebido pelos participantes com manifestações de carinho e reconhecimento, o senador Paulo Paim reafirmou seu compromisso histórico com a redução da jornada de trabalho e defendeu que o Senado aprove a proposta nos mesmos termos aprovados pela Câmara dos Deputados. Paim lembrou que diversos países já reduziram suas jornadas de trabalho e afirmou que o Brasil não pode continuar entre os últimos a garantir mais qualidade de vida à classe trabalhadora.
Autor de uma proposta ainda mais avançada, que previa a redução gradual até 36 horas semanais, o senador destacou que a aprovação da PEC dependerá da mobilização social e da pressão popular “Eu espero que o Senado revise de forma positiva e aprove a PEC que veio da Câmara”, afirmou.
Em uma fala emocionada, Paim ressaltou sua origem sindical e garantiu que continuará ao lado da classe trabalhadora mesmo após deixar o Parlamento. “Tenho orgulho de dizer que sou do movimento sindical. Eu saio do Congresso, mas podem crer: não sairei das lutas. Não sairei do bom debate”, declarou.
DIEESE apresenta dados que reforçam urgência da mudança
A supervisora do Escritório Regional do DIEESE em Santa Catarina, Crystiane Peres, apresentou estudos que demonstram a necessidade e a viabilidade da redução da jornada e do fim da escala 6x1. Segundo ela, os afastamentos por problemas de saúde mental e os acidentes de trabalho vêm crescendo nos últimos anos. Dados da Fundacentro mostram que trabalhadores submetidos a jornadas superiores a 40 horas têm 38% mais chances de sofrer acidentes. Crystiane também destacou que jornadas excessivas reduzem o acesso dos trabalhadores à educação, afetam a produtividade e comprometem a qualidade de vida.
Ao rebater os argumentos do setor empresarial de que a redução da jornada provocaria crise econômica e desemprego, a economista ressaltou que não existe teoria econômica que sustente essa tese “O que a redução da jornada promove é a redistribuição dos ganhos de produtividade e da renda. Trata-se de uma medida importante para combater a concentração da riqueza e melhorar a vida da população”, afirmou.
Mobilização continuará em Santa Catarina
Ao final da plenária, a CUT-SC reforçou a necessidade de ampliar a pressão sobre os senadores catarinenses e orientou sindicatos e trabalhadores a intensificarem as mobilizações nas regiões, além de utilizarem a plataforma Na Pressão e as redes sociais para dialogar com os parlamentares.