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Congresso do SINTESPE promoveu três dias de debates sobre a atual conjuntura

O Hotel Morro das Pedras, em Florianópolis, foi o local escolhido para a realização do VI Congresso do SINTESPE, que aconteceu nos dias 22, 23 e 24 de novembro

Publicado: 28 Novembro, 2018 - 16h03

Escrito por: Assessoria de Comunicação Sintespe

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O Hotel Morro das Pedras, em Florianópolis, foi o local escolhido para a realização do VI Congresso do SINTESPE, que aconteceu nos dias 22, 23 e 24 de novembro e homenageou o ex-diretor do sindicato, Arnoldo Zilte dos Santos (in memoriam).

As atividades do dia 22 iniciaram logo pela manhã com o credenciamento dos participantes e, posteriormente, com a leitura do regimento, consideração de destaques e aprovação do mesmo. A aprovação do regimento se deu por ampla maioria dos presentes, sem abstenções ou votos contrários.

DEBATE
Por volta das 15h foi iniciada a primeira mesa do Congresso, que teve como palestrante o economista do Movimento Auditoria Cidadã da Dívida, Rodrigo Vieira de Ávila. O mecanismo de corrupção institucionalizado da dívida pública esteve no centro do debate, que também tratou do possível cenário de conjuntura no período pós-eleitoral.

Ávila apresentou gráficos, dados, orçamentos, notícias, publicações e, provou com argumentos embasados que a dívida pública não passa de uma falácia, se tratando, portanto, de um mecanismo de subtração de recursos dos Estados. Tudo isso feito sem nenhuma contrapartida e com a única função de beneficiar o setor financeiro, sendo também um instrumento de chantagem para que sejam implementados os projetos de austeridade fiscal e demais reformas, como a Trabalhista e, futuramente, a da Previdência.

Além disso, foi colocada em evidencia no debate a importância de que seja realizada a auditoria cidadã da dívida pública. “As crises são fabricadas. Se gasta com a dívida mais de quatro vezes do que ela transfere para todos os Estados e municípios. Dinheiro existe, o problema é para onde este dinheiro está indo e por que a União faz questão de se tornar uma espécie de agiota dos Estados”, afirmou Ávila.

Para o economista, apenas uma auditoria poderá responder de onde veio essa dívida, quanto foi emprestado e quanto foi pago, o que realmente se deve, quem contraiu os empréstimos, onde foram aplicados os recursos, quem se beneficiou desse endividamento e quais são as responsabilidades dos credores internacionais nesse processo.

O debate foi complementado pelo Diretor do Departamento de Relações Intersindicais e Relações de Trabalho do Sindprevs, Luciano Wolffenbüttel Véras, que alertou para o desmonte completo do serviço público de uma maneira jamais vista. “Esse será o assunto central para as discussões do próximo ano. O ataque será para todos, não apenas os trabalhadores do serviço público, mas também para quem integra a iniciativa privada. Os servidores públicos são como a ponta de uma lança para as lutas. Devemos puxar essas discussões e esses debates, pois o trabalhador da iniciativa privada não tem essa voz”, afirmou.

ABERTURA OFICIAL

A abertura oficial do VI Congresso do SINTESPE foi iniciada às 19h e a mesa foi composta pelo presidente do sindicato, Antonio Celestino Lins, Ana Julia Rodrigues, representando a CUT Santa Catarina e a CUT Nacional, o presidente nacional da Fenasepe, Renilson Oliveira, Clemente Gans do Dieese-SP, Rogério Manoel Correa do Sindicato dos Edifícios e Luciano Vieira do Sintrasem.

Na fala dos integrantes da mesa foram elencadas as dificuldades que virão no ano de 2019, com a esperada intensificação da terceirização, entregas do patrimônio público, ataque às aposentadorias e a aprofundada experimentação das consequências do congelamento dos investimentos em saúde e educação, que deverão deixar estados e municípios em uma crise cada vez mais agravada.

Após as devidas considerações, foi prestada uma homenagem à Arnoldo Zilte dos Santos, onde na ocasião o presidente do SINTESPE fez a entrega da placa simbólica ao filho do ex-diretor. Os servidores também receberam homenagens através dos representantes por local de trabalho de órgãos como a Procuradoria Geral do Estado (PGE), Secretaria de Estado da Defesa Civil (SDC), Secretaria de Estado da Administração (SEA), DETER, Secretaria de Estado da Agricultura e da Pesca (SAR), UDESC, Defensoria Pública do Estado (DPE), Secretaria de Estado da Assistência Social, Trabalho e Habitação (SST), Secretaria de Estado de Desenvolvimento Sustentável (SDS), Secretaria de Estado da Educação (SED), Secretaria de Estado da Fazenda (SEF), Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), Instituto do Meio Ambiente (IMA), IPREV, Junta Comercial do Estado de Santa Catarina (JUCESC), Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (SJC), Secretaria de Estado da Saúde (SES), Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), Secretaria de Estado de Turismo Cultura e Esporte (SOL), Porto de São Francisco do Sul (APSFS), Imetro/SC, Tribunal de Contas do Estado (TCE-SC) e DEINFRA.

O QUE O FUTURO RESERVA

“Hoje, em 2018, estamos em um Congresso para debater o golpe de Estado e o desmonte dos serviços públicos. Em 2030 não teremos servidores para lotar uma sala como essa”, provocou o representante do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) de São Paulo, Clemente Gans. Em uma fala de quase 40 minutos, ele alertou para o cenário de desmonte vivido pelo serviço público, especialmente nos últimos dois anos, onde o Estado apresenta um processo de transferência constante para o setor privado.

Gans elencou a necessidade urgente de juntar todas as forças possíveis para a construção da unidade e da consciência de classe. Também ponderou sobre a importância de reaprender estratégias para intensificar a disputa de narrativas frente às investidas do neoliberalismo, especialmente através do retorno à base e com mobilizações locais e nacionais que abordem novas formas de utilizar a comunicação como ferramenta deste processo.

VI Congresso do SINTESPE proporciona reflexões em seu segundo dia de atividades

O aprofundamento do golpe de Estado no Brasil e os interesses escusos do imperialismo foram os temas debatidos na primeira mesa do segundo dia do VI Congresso do SINTESPE.

“Esse aqui é um golpe contra 99% da população. Como é possível ser a favor de um cenário onde se observa a crescente destruição de direitos, entrega de patrimônio nacional, ferimento da soberania nacional e subserviência à políticas norteamericanas?”. Essa foi a tônica do debate conduzido por José Álvaro, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos de Santa Catarina (Dieese-SC).

Direitos, qualidade de vida, renda e sobrevivência de toda a população estão ameaçados, em um ataque jamais visto em nossa história. O cenário de crise tende a se aprofundar, especialmente por conta do alinhamento político, militar e econômico com o governo norteamericano, em uma atitude classificada pelo palestrante como “servil e lamentável” e que “será uma das tônicas do próximo governo”.

O ano de 2019 será marcado por incerteza em diversos cenários e José Álvaro considera que a vida dos trabalhadores será extremamente prejudicada, seja por conta das medidas econômicas do próximo governo que, segundo ele, não funcionaram em nenhuma outra parte do mundo ou seja pela quantidade de mentiras que serão disparadas para justificar a reforma da previdência.

“Nesse momento a gente é muito azarado enquanto povo. A extrema direita no resto do mundo é extremamente nacionalista e protetora de seus próprios recursos, empregos e empresas, enquanto que no Brasil o que acontece é exatamente o contrário, com preparação para entregar empresas estatais estratégicas e recursos do nosso país”, declarou.

José Álvaro também completou sua fala, prevendo que o cenário de privatização deve ser continuado, para que sejam garantidos os pilares do golpe de Estado, que consiste no enriquecimento de poucos, ferimento da soberania e retirada de direitos.

Autoquestionamento em pauta
“Eu não quero dar respostas, eu quero que vocês saiam daqui com perguntas”. O professor e psicólogo Luiz Sérgio conduziu a segunda mesa do dia com um discurso mais filosófico, voltado para o autoquestionamento e reconhecimento do papel individual neste cenário de incertezas. Temas como a perda de identidade, a sensação de pertencimento e a importância de entrarmos em contato com visões que são contrárias às nossas nortearam a discussão.

“Não participo de grupos de WhatsApp. Ali todo mundo fala o que eu quero ouvir. Eu quero que alguém me diga algo novo, algo diferente, que me faça refletir”, afirmou. O questionamento de nossas atitudes, desejos e vontades deve ser colocado em perspectiva, segundo o palestrante, pois nesse momento ninguém consegue prever assertivamente qual será a nossa realidade ao longo dos próximos anos. Recuperar a consciência de classe perdida, promover a democracia e reconstituir as organizações dos trabalhadores estão entre as soluções apontadas por Luiz Sérgio, que acredita também na importância de reformar o legislativo, o executivo e o judiciário.

“As saídas são difíceis, mas elas existem”, comentou enquanto dissecava o papel do medo e do pânico como força paralisadora de nossas ações. Para ele, teremos inúmeras possibilidades de ação se soubermos trabalhar nosso medo e inseguranças diante do desconhecido. “Devemos desfrutar dos pequenos momentos, reconstruir nossas convicções e esperanças, criando nossa potencialidade de vida, que é servir o outro e também uma base do que é o serviço público”, finalizou.

Atividades complementares
Após as mesas na parte da manhã, os participantes do congresso fizeram uma pausa para o almoço e retornaram para as atividades da tarde. Foram formados cinco grupos de trabalho para debater e efetuar as devidas considerações da tese do congresso, que foi posteriormente debatida e aprovada em plenário com as contribuições dos grupos.

O Congresso do SINTESPE encerrou no sábado com a votação das propostas do Plano de Lutas e votação das Moções e Resoluções, bem como a apresentação e votação das alterações do estatuto do sindicato.

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