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Com ajuda do movimento sindical, MST doa 13 toneladas de alimentos em Joinville/SC

A ação de solidariedade é fruto da parceria do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) com a União Sindical e o Comitê Popular Solidário de Joinville contra o Coronavírus

Publicado: 16 Agosto, 2021 - 10h30

Escrito por: Juliana Adriano Alex Sander Magdyel

Pedro Mendes
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Reforçando os laços do campo e da cidade, famílias Sem Terra de 14 municípios catarinenses doaram, neste mês de agosto, 13 toneladas de alimentos saudáveis e diversos que vão beneficiar mil famílias atendidas por 28 organizações de Joinville e região, entre ocupações urbanas, terras indígenas, comunidades de matriz africana, acampamento cigano, coletivo cultural e associações de moradores e de imigrantes haitianos.

Os alimentos arrecadados foram entregues nesta quinta (12) e sexta-feira (13) em Joinville, maior cidade de Santa Catarina. A ação de solidariedade é fruto da parceria do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra (MST) com a União Sindical e o Comitê Popular Solidário de Joinville contra o Coronavírus. 

De onde vieram os alimentos?

 

Os alimentos entregues em Joinville vieram das mãos de trabalhadores e trabalhadoras que amam a terra e há muito tempo gritam: “terra para quem nela trabalha”. São camponeses e camponesas que sabem que além de cuidar da terra é imprescindível cuidar do próximo com carinho. Por isso, as famílias Sem Terra de Santa Catarina reforçam a necessidade de Reforma Agrária, mostrando os frutos de seu trabalho, doando leite, feijão, abóbora, aipim, batata doce, batata salsa, beterraba, cabutiá, cenoura, repolho, pães, bolachas, mel, banana, maçã, tangerina e ervas medicinais, para preencher a barriga e alegrar o coração. 

Os assentamentos e acampamentos do MST que se envolveram nessa ação estão localizados em Canoinhas, Celso Ramos, Curitibanos, Fraiburgo, Frei Rogério, Garuva, Lebon Régis, Mafra, Major Vieira, Monte Castelo, Ponte Alta, Santa Terezinha, São Cristóvão do Sul e Rio Negrinho. As cooperativas da reforma agrária CooperOeste, Cooproeste, CooperContestado, CooperDotchi e CooperConquista também participaram.

 

Juliana AdrianoJuliana Adriano

Solidariedade entre campo e cidade

Durante o recebimento dos alimentos em Joinville, as entidades envolvidas realizaram um ato político de celebração da solidariedade popular, com mística e manifestações de representantes das organizações e comunidades. Os participantes ressaltaram a importância da organização popular e denunciaram o governo Bolsonaro, responsável pelo aumento da fome e da pobreza no Brasil e pelas milhares de mortes por Covid-19.

O Movimento Sem Terra reforça a solidariedade de classe como parte da luta frente à política genocida em curso e desde o início da pandemia doou mais de cinco mil toneladas de alimentos em todo país, destes, 100 toneladas em Santa Catarina. “A solidariedade acompanha o MST desde a sua formação, somos fruto da solidariedade e alimentamos ela como um de nossos valores fundamentais”, apontou Juliana Adriano, da direção do MST.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Joinville, Rodolfo de Ramos, afirmou que “esse é um momento único em Joinville, um momento de solidariedade, de amor ao próximo. Nós estamos vendo aqui que as doações não são de alimentos que sobram, mas parte da produção dos assentamentos e acampamentos do MST, de trabalhadores e trabalhadoras rurais que estão se solidarizando neste momento de pandemia”. Ele também reforçou o agradecimento às entidades que integram a União Sindical e se somaram na compra de parte dos alimentos doados, os 2500 litros de leite e os 1500 quilos de feijão.

A partilha dos alimentos doados pelo MST está sendo organizada pelo Comitê Popular Solidário de Joinville contra o Coronavírus, que articula as doações junto às comunidades. Estima-se que mil famílias, atendidas por 28 organizações, serão contempladas com kits de 13 quilos de alimentos cada. Num processo de auto organização, as comunidades atendidas também participam da ação de solidariedade, desde a articulação, levantamento de necessidades e mobilização de voluntários até a arrumação e distribuição dos alimentos.

“Serão atendidas mais de 28 comunidades, associações, terras indígenas, comunidades de matriz africana, acampamento cigano, imigrantes haitianos, diversas comunidades que têm sido atendidas desde o início da articulação do comitê”, explicou Letícia Helena, presidenta da Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Itinga (Amorabi), uma das organizações que compõem o Comitê Popular Solidário. Há mais de um ano, o comitê articula ações de solidariedade em Joinville, além de denunciar e cobrar do poder público medidas de assistência e proteção da população. 

Vilson Santin, da direção do MST, reforçou a importância “dessa bonita articulação campo e cidade, fruto da organização social do povo Sem Terra, junto com os trabalhadores e trabalhadoras da Cidade. Praticar a solidariedade de classe e fazer chegar alimentos saudáveis nas mesas das famílias que necessitam, é também construir com as nossas mãos o projeto de sociedade que queremos”.

*Editado por Fernanda Alcântara