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Aula pública explica aos trabalhadores os ataques previstos à aposentadoria

Uma aula pública aconteceu no largo da Catedral, em Florianópolis, para explicar para os trabalhadores e trabalhadoras o que está por trás da reforma da Previdência e como ela dificulta o acesso à aposentadoria

Publicado: 21 Fevereiro, 2019 - 11h33 | Última modificação: 21 Fevereiro, 2019 - 11h48

Escrito por: Pricila Baade

Rubens Lopes
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No mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro entregou ao Congresso Nacional a proposta da Reforma da Previdência no Congresso Nacional, uma aula pública aconteceu no largo da Catedral, em Florianópolis, para explicar para os trabalhadores e trabalhadoras o que está por trás da reforma e como ela dificulta o acesso à aposentadoria. O momento de diálogo com a classe trabalhadora aconteceu durante a tarde dessa quarta-feira (20) e foi organizado pela CUT, junto com a CTB, Intersindical, UGT, CSP Conlutas e Dieese.

O economista e supervisor técnico do Dieese/SC, José Álvaro Cardoso, coordenou a aula, explicando um pouco mais das propostas e dos interesses que motivam o governo a querer aprová-la “A aprovação da Reforma da Previdência não é somente uma questão ideológica, mas financeira. Os bancos, que financiaram o golpe, estão de olho na seguridade como um todo. No Brasil, a seguridade – o SUS, a assistência e a previdência – movimentam cerca de R$ 740 bilhões por ano”.

José Álvaro disse que ainda não havia lido detalhadamente as propostas entregues pelo governo ontem, mas que, mesmo assim, sabia que o ataque aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras era algo certo na reforma “Eu não preciso nem ter lido as propostas do governo para essa reforma para saber o que vem por aí. O que esperar de um governo que em 40 dias restringiu o salário mínimo, acabou com o Ministério do Trabalho e declarou que vai entregar a preço de banana mais de cem estatais?”.

Rubens LopesRubens Lopes

A teoria do economista foi confirmada: a proposta entregue ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, prevê a implementação da obrigatoriedade de idade mínima de acesso à aposentadoria de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, o aumento do tempo mínimo de contribuição de 15 para 20 anos e uma regra de transição de 12 anos. Além disso, se a proposta for aprovada, os trabalhadores e trabalhadoras prestes a se aposentar terão de pagar um pedágio, ou seja, trabalhar e contribuir por mais tempo. Os mais prejudicados serão os mais pobres, que começam a trabalhar mais cedo. Isso porque, o pedágio para quem está prestes a se aposentar será de 50% do tempo que faltaria para aposentadoria, tanto por contribuição como por idade.

Uma trabalhadora que estava assistindo a aula se revoltou com a retirada de direitos que esse governo impõe “Isso é uma vergonha. Eles estão tirando os direitos de quem trabalhou uma vida inteira para conquistar sua aposentadoria”.

A presidenta da CUT-SC, Anna Julia Rodrigues, também participou da aula e falou sobre a importância da unidade do movimento sindical e social “Esse é o momento de nós buscarmos forças para impedir a aprovação da Reforma da Previdência, como fizemos em 2017 e 2018 durante o governo Temer, com mobilizações e a greve geral. Por isso, nós , dos movimentos sindical e social, temos a responsabilidade de nos unificar e dialogar com os trabalhadores e trabalhadoras para mobilizar todos e todas contra os ataques à aposentadoria”. Na próxima semana, as centrais sindicais de Santa Catarina se reunirão para organizar um calendário de lutas em defesa da aposentadoria.

Após a aula pública, representantes do movimento sindical realizaram uma panfletagem no centro da capital entregando um material que alerta os trabalhadores sobre os riscos que cada categoria corre com a Reforma da Previdência.

 

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