Audiência pública na Alesc lota auditório, reúne sindicatos de todo o estado e fortalece a pressão nacional pela redução da jornada sem redução salarial
Santa Catarina deu mais um passo importante na mobilização nacional pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho. A audiência pública realizada na noite da última quinta-feira (21), na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), reuniu trabalhadores, dirigentes sindicais, parlamentares e movimentos sociais em um auditório lotado em defesa de mais qualidade de vida para a classe trabalhadora.
A atividade aconteceu no Auditório Antonieta de Barros e integrou o seminário “Câmara pelo Brasil”, promovido pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados que debate a proposta de redução da jornada de trabalho no país. A audiência foi organizada a partir de requerimento do deputado estadual Marquito (Psol), com apoio das centrais sindicais e movimentos sociais de Santa Catarina.
O encontro ocorreu em um momento decisivo da tramitação da proposta no Congresso Nacional. Nos próximos dias, a comissão especial da Câmara deve votar o parecer sobre a PEC que prevê a redução da jornada semanal sem redução salarial, ampliando a pressão popular sobre os parlamentares.
A presidenta da CUT-SC, Anna Julia Rodrigues, destacou que a redução da jornada é uma pauta histórica do movimento sindical e reforçou que a luta pelo fim da escala 6x1 representa a defesa da vida além do trabalho “Estamos há 40 anos sem redução da jornada. Hoje os trabalhadores entendem essa necessidade como qualidade de vida, como vida além do trabalho”, afirmou.
Ela também chamou atenção para os impactos da jornada exaustiva sobre as mulheres trabalhadoras “Nós mulheres temos jornada dupla, tripla, e muitas vezes não vemos nossos filhos crescerem. Precisamos de tempo para estudar, viver e conviver com a família”, destacou.
Segundo Anna Julia Rodrigues, a redução da jornada sem redução salarial também pode gerar empregos e melhorar as condições de trabalho e produtividade “Muitas vezes as pessoas trabalham doentes e isso não aumenta a produção. O trabalhador com qualidade de vida produz melhor”, completou.
Durante a audiência, representantes sindicais e especialistas também defenderam que o avanço tecnológico e o aumento da produtividade tornam injustificável a manutenção de jornadas consideradas exaustivas. Dados apresentados durante o debate apontam que a redução da jornada pode gerar quase 60 mil novos empregos em Santa Catarina.
A audiência também evidenciou o crescimento da mobilização social em torno da pauta. O debate sobre o fim da escala 6x1 ultrapassou os limites do movimento sindical e ganhou força entre jovens trabalhadores do comércio, serviços, supermercados, aplicativos e turismo, setores onde a escala exaustiva é amplamente utilizada.
Ao final da atividade, sindicatos e movimentos reforçaram a necessidade de intensificar a pressão sobre os deputados para garantir a aprovação da proposta sem adiamentos e sem retirada de direitos.