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ARTIGO: A demagogia de reduzir salários dos servidores públicos e agentes políticos

"A única coisa possível de redução é o lucro - tem muita empresa que concentrou muito lucro e que tem todas as condições para suportar um ano sem lucro" - escreve o presidente da Fetram em seu artigo

Publicado: 06 Abril, 2020 - 09h05 | Última modificação: 06 Abril, 2020 - 09h52

Escrito por: Lizeu Mazzioni – Presidente da Federação dos Trabalhadores Municipais de Santa Catarina

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Sou contra esse cinismo e demagogia oportunista. O Brasil enfrenta nesse momento dois grandes problemas - a pandemia do coronavírus - Covid 19 - e o desgoverno Bolsonaro. A crise econômica do Brasil já estava instalada antes da doença e decorre da política econômica do Ministro Paulo Guedes que destrói a economia nacional e a renda dos trabalhadores. A doença agrava essa crise. E o Brasil, diferente de todos os outros países, inclusive da China - que já superou essa crise, escolheu o caminho de confiscar ainda mais a renda dos trabalhadores - públicos e privados. Isso vai aprofundar e alongar a crise econômica.

Querem retomar o comércio e a indústria dos setores não essenciais ampliando o contágio da doença - venderão para quem se estão confiscando a renda dos trabalhadores? Muitos trabalhadores, que já ganham pouco, deixarão de comprar até mesmo os alimentos por falta de renda. A solução necessária é romper esse pacto da mediocridade e ganância das elites e do governo Bolsonaro que governa em nome dela e dos seus interesses.

A única coisa possível de redução é o lucro - tem muita empresa que concentrou muito lucro e que tem todas as condições para suportar um ano sem lucro. Mas isso só não é a solução. Os países estão desenvolvendo uma política de guerra - anticíclica onde o Estado, que é o gestor da moeda e da economia, que tem instrumentos como as reservas cambiais, a dívida pública , a emissão de moeda e o crédito bancário para gerir a economia no enfrentamento da crise. Com essa política desastrosa de confiscar a renda dos trabalhadores e retomar o trabalho dos setores não essenciais vai aprofundar duas tragédias - as mortes pela doença e a miséria pela crise econômica.

Temos o azar de ter o Bolsonaro de presidente - totalmente ignorante e sem qualquer compromisso de amor ao próximo e respeito à vida dos trabalhadores/as. A melhor atitude nesse momento seria o Estado exigir das empresas a manutenção dos empregos e salários e ajudar com crédito aquelas que provarem ausência de lucro e capital de giro, e, o Estado garantir a renda básica para aqueles que não tem emprego, aposentadoria, pensão ou renda própria. E manter o isolamento social o máximo possível . Se a doença aumenta o problema econômico, só o enfrentamento e a superação da doença vai recolocar a normalidade.

Descuidar da velocidade de contágio do vírus vai levar o caos ao sistema de saúde e ao conjunto da sociedade e parar de forma mais profunda e prolongada a economia. Arriscar esse caminho é uma irresponsabilidade imperdoável. Bolsonaro já pode ser julgado por crime contra a humanidade. E os neoliberais precisam ver a realidade - essa crise mundial já jogou a política neoliberal na lata do lixo da História, o melhor exemplo disso são os dois trilhões de dólares que os EUA estão colocando na economia para segurar os empregos e a renda ou mesmo as medidas da Argentina na mesma direção.

Essa demagogia pré-eleitoral de confiscar o salário dos trabalhadores em troca de uma redução temporária dos supersalários dos agentes políticos pode amenizar a consciência dos que governam contra o povo e pode dar votos em outubro, mas não vai livrar o Brasil do desastre sanitário e econômico que está sendo levado pela política econômica desde o governo Temer, aprofundada pelo Paulo Guedes. E temos o agravante que o Presidente Bolsonaro já colocou o Brasil como o patinho feio do mundo. Muda o rumo Brasil, porque esse bolsonarista é o caminho do desastre

 

Lizeu Mazzioni é Mestre em Educação pela Universidade Federal da Fronteira Sul, Professor Municipal, Ex-Secretário de Educação do Município de Chapecó (1998/2002) e atual Presidente da Federação dos Trabalhadores Municipais de Santa Catarina.