6ª Marcha dos Catarinenses reúne 3 mil trabalhadores em Florianópolis
Mobilização percorreu o Centro da capital e reuniu trabalhadores e trabalhadoras de todas as regiões do estado em defesa de direitos, políticas públicas e de outro projeto para Santa Catarina
Publicado: 19 Agosto, 2026 - 11h39
Escrito por: CUT-SC
Cerca de 3 mil trabalhadores e trabalhadoras tomaram as ruas de Florianópolis nesta terça-feira (18) durante a 6ª Marcha dos Catarinenses. Vindos de diferentes regiões e categorias, muitos depois de atravessarem o estado durante a madrugada, os trabalhadores protagonizaram uma mobilização diversa e potente, marcada pela unidade entre centrais sindicais e movimentos sociais.
Com o lema “Do campo à cidade, quem constrói Santa Catarina é a classe trabalhadora”, a Marcha retomou uma importante mobilização no estado. A última edição havia sido realizada em 2014.
A concentração começou no início da tarde no Parque da Luz, na cabeceira da Ponte Hercílio Luz. De lá, a Marcha seguiu pelas ruas do Centro de Florianópolis, levando faixas, bandeiras, palavras de ordem e as reivindicações da classe trabalhadora para um dos pontos de maior circulação da capital.
O percurso passou pelo Terminal de Integração do Centro (TICEN), em um momento pensado especialmente para dialogar com os trabalhadores e trabalhadoras que circulavam pelo local. Durante todo o trajeto, as entidades apresentaram à população as razões que levaram milhares de pessoas às ruas.
A caminhada terminou em frente à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O encerramento no local teve um significado político: quando os deputados estaduais retornarem do período eleitoral, as centrais sindicais pretendem entregar ao presidente da Assembleia um documento reunindo as principais reivindicações apresentadas pela 6ª Marcha dos Catarinenses.
Direitos e outro projeto para Santa Catarina
Entre as bandeiras que ganharam as ruas estiveram o fim da escala 6x1 e a redução da jornada sem redução salarial, a valorização dos serviços públicos e das estatais, a defesa da educação e das universidades públicas e das políticas de cotas, além da luta contra o desconto de 14% nas aposentadorias e pensões dos servidores públicos estaduais.
A Marcha também denunciou as renúncias fiscais bilionárias concedidas pelo Governo do Estado, reivindicando que os recursos públicos sejam destinados às necessidades da população e ao fortalecimento das políticas públicas.
O enfrentamento ao feminicídio e à violência contra as mulheres, o combate ao racismo, o enfrentamento à criminalização dos movimentos sindical e social também estiveram entre as reivindicações. Somaram-se a elas a defesa da reforma agrária, da agricultura familiar, da moradia digna, dos povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais e do meio ambiente.
Para a presidenta da CUT-SC, Anna Julia Rodrigues, que esteve na coordenação da Marcha, a presença de milhares de trabalhadores nas ruas mostrou a capacidade de organização e mobilização construída em todo o estado “Foram 3 mil trabalhadores e trabalhadoras de todas as regiões de Santa Catarina mostrando nas ruas que a classe trabalhadora tem força, tem propostas e quer participar das decisões sobre o futuro do nosso estado. Tivemos companheiros e companheiras que viajaram a madrugada inteira para estar aqui. Essa disposição mostra que não vamos assistir de braços cruzados aos ataques aos nossos direitos. A Marcha termina hoje, mas a nossa organização e a nossa luta continuam”.
Uma construção que começou no Congresso da CUT-SC
Durante o ato, a secretária de Formação da CUT Nacional, Rosane Bertotti, falou em nome da CUT e relembrou que a retomada da Marcha dos Catarinenses começou a ser construída ainda em 2023, durante o Congresso Estadual da CUT-SC, quando a realização da 6ª edição foi aprovada como uma das resoluções da entidade.
Bertotti destacou que transformar aquela decisão em uma mobilização com milhares de pessoas nas ruas somente foi possível pela construção coletiva e pela unidade das centrais sindicais e dos movimentos sociais.
Em sua fala, Bertotti também destacou a relação que mantém com Santa Catarina e chamou atenção para a realidade da violência contra as mulheres no estado.
“Tenho orgulho de morar em Santa Catarina, um estado construído por trabalhadores e trabalhadoras de todos os ramos, mas também me entristece viver em um estado que aparece nos rankings de feminicídio. Não podemos aceitar que mulheres continuem perdendo suas vidas. Essa também é uma luta de toda a classe trabalhadora”, ressaltou.
Unidade que continua depois da Marcha
A 6ª Marcha dos Catarinenses foi construída conjuntamente por CUT, CTB, CSB, Nova Central, Intersindical, UGT e Força Sindical, com a participação de sindicatos, federações e movimentos sociais do campo e da cidade.
A mobilização foi resultado de meses de organização em diferentes regiões de Santa Catarina. Mais do que reunir as diferentes bandeiras em um único ato, a Marcha buscou demonstrar que elas fazem parte de uma mesma disputa por um estado que coloque os direitos e as necessidades de quem trabalha no centro das decisões.
O documento que será entregue à presidência da Alesc dará continuidade a essa mobilização, levando para dentro do Parlamento catarinense as reivindicações que 3 mil trabalhadores e trabalhadoras defenderam nas ruas de Florianópolis.