Escrito por: CUT-SC

6ª Marcha dos Catarinenses defenderá um novo projeto para Santa Catarina

Com o lema "Do campo à cidade, quem constrói Santa Catarina é a classe trabalhadora", a Marcha pretende reunir milhares de pessoas para defender um modelo de desenvolvimento que coloque as pessoas acima dos pri

Após doze anos, a classe trabalhadora catarinense voltará a ocupar as ruas da capital do estado. No próximo 18 de agosto, Florianópolis receberá a 6ª Marcha dos Catarinenses, grande mobilização que reunirá trabalhadores e trabalhadoras do campo e da cidade, centrais sindicais, movimentos sociais, estudantes, juventude e organizações populares em defesa de um estado mais justo, democrático e comprometido com quem produz a riqueza de Santa Catarina.

A última edição da Marcha aconteceu em 2014. Agora, a mobilização retorna em um contexto marcado pelo aumento das desigualdades, pelos ataques aos direitos sociais e trabalhistas no estado e pela necessidade de fortalecer a organização popular em defesa de um novo projeto para Santa Catarina.

Com o lema "Do campo à cidade, quem constrói Santa Catarina é a classe trabalhadora", a Marcha pretende reunir milhares de pessoas para defender um modelo de desenvolvimento que coloque as pessoas acima dos privilégios e fortaleça as políticas públicas, os direitos sociais e a democracia.

Construída de forma unitária pelas centrais sindicais CUT, CTB, CSB, Nova Central, Intersindical, UGT e Força Sindical, juntamente com movimentos sociais e estudantil, a 6ª Marcha dos Catarinenses retoma uma importante tradição de mobilização da classe trabalhadora catarinense, reafirmando a unidade das organizações populares na defesa dos direitos da população.

Mais do que um ato de protesto, a Marcha será um espaço para dialogar com a sociedade sobre os rumos de Santa Catarina e apresentar um projeto de estado comprometido com a valorização dos trabalhadores, a justiça social e o fortalecimento dos serviços públicos.

Entre as pautas da mobilização está a denúncia da política de renúncias fiscais promovida pelo governo de Jorginho Mello. Somente em 2026, o governo estadual prevê abrir mão de R$ 31 bilhões em arrecadação, beneficiando principalmente grandes empresas importadoras, agroindústrias e setores industriais. Enquanto bilhões de reais deixam de ser arrecadados para beneficiar grandes empresas, faltam investimentos em áreas essenciais como saúde, educação, assistência social, habitação, saneamento e infraestrutura. Para as entidades organizadoras, trata-se de uma política que concentra benefícios em poucos setores econômicos enquanto a maioria da população convive com serviços públicos precarizados e direitos ameaçados.

A Marcha também defenderá a valorização do serviço público e dos servidores estaduais, denunciando medidas que retiram direitos da categoria. Um dos exemplos é a manutenção do confisco de 14% sobre aposentados e pensionistas do serviço público estadual, considerada pelas entidades um verdadeiro ataque sobre quem já contribuiu durante toda a vida  e deveria usufruir de uma aposentadoria digna. A defesa das empresas públicas, com Celesc e Casan, também integra a pauta da mobilização, por serem fundamentais para garantir serviços essenciais e promover o desenvolvimento do estado.

Outro eixo importante será o enfrentamento à crescente criminalização do movimento sindical e dos movimentos sociais em Santa Catarina. As entidades denunciam a perseguição promovida por gestores públicos contra dirigentes sindicais, servidores e organizações populares, por meio de processos administrativos, tentativas de intimidação e restrições ao direito de organização e manifestação. Para as centrais sindicais, defender a liberdade de organização sindical e o direito à mobilização é defender a própria democracia.

A luta pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial também ocupará lugar de destaque na Marcha. A reivindicação busca garantir melhores condições de vida para a classe trabalhadora, com mais tempo para o descanso, o convívio familiar, o lazer e a qualificação profissional. 

A mobilização também chamará atenção para a grave situação da violência contra as mulheres em Santa Catarina. O estado registra índices alarmantes de feminicídio e de outras formas de violência de gênero, realidade que exige muito mais do que ações repressivas. As entidades defendem o fortalecimento das políticas públicas de prevenção, proteção, acolhimento e promoção da autonomia das mulheres, compreendendo que enfrentar a violência é responsabilidade de toda a sociedade.

A defesa da educação pública também será uma das bandeiras da Marcha. As entidades reafirmam a importância das universidades públicas e das políticas de cotas para ampliar o acesso ao ensino superior, reduzir desigualdades históricas e garantir oportunidades para estudantes negros, indígenas, pessoas com deficiência e jovens oriundos das escolas públicas. A mobilização também denunciará os ataques promovidos pelo governo estadual e por parlamentares da sua base às políticas de ações afirmativas, consideradas fundamentais para a democratização da educação.

Também integram a pauta da Marcha a defesa da reforma agrária, da agricultura familiar, da moradia digna, dos povos indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais, além da proteção ao meio ambiente e da construção de políticas públicas capazes de enfrentar os efeitos da crise climática sobre a população catarinense.

 

Para a presidenta da CUT-SC, Anna Julia Rodrigues, a Marcha representa a construção de uma ampla unidade em defesa dos direitos da população "A 6ª Marcha dos Catarinenses é um chamado para todos aqueles que acreditam que Santa Catarina pode ser mais justa. Quem constrói este estado todos os dias é a classe trabalhadora, e é ela que precisa estar no centro das decisões políticas. Queremos um estado que invista nas pessoas, fortaleça os serviços públicos, respeite os direitos e enfrente as desigualdades, em vez de ampliar privilégios para poucos."

Organização da Marcha mobiliza todas as regiões de Santa Catarina
A construção da 6ª Marcha dos Catarinenses já começou. Nesta semana, representantes das centrais sindicais e dos movimentos sociais realizaram a primeira reunião estadual de organização, dando início à retomada da Marcha. No encontro foram definidos os principais eixos políticos da mobilização, a identidade da campanha e o calendário de preparação.

A próxima etapa será a realização de plenárias regionais de organização e mobilização, que acontecerão a partir da próxima semana até o final de julho, nas seis regiões do estado: Grande Florianópolis, Norte, Vale do Itajaí, Sul, Meio-Oeste e Oeste.

Os encontros reunirão sindicatos, movimentos sociais, organizações estudantis, juventude e lideranças populares para ampliar o diálogo sobre as pautas da Marcha, organizar caravanas, definir estratégias de mobilização e fortalecer a participação de cada região na grande manifestação do dia 18 de agosto.

A expectativa das entidades organizadoras é reunir milhares de pessoas em Florianópolis, reafirmando que é do campo à cidade que a classe trabalhadora constrói Santa Catarina e que somente com participação popular, valorização do trabalho, fortalecimento das políticas públicas e ampliação dos direitos será possível construir um estado mais democrático, inclusivo e socialmente justo.